Dessa vez não tem poesia ou poema... vamos falar de um ditado popular: Ser pai/mãe é padecer no paraíso.
Segundo o dicionário Houaiss, o verbo "padecer" significa ter "resistência a; aguentar, suportar".
De "paraíso" todo mundo conhece o conceito: um lugar agradável, prazeroso.
Nunca concordei tanto com um ditado popular. São conceitos opostos que convivem e se alternam constantemente na vida de qualquer pai.
Ocorre que ser pai é uma maravilha... estar com seu filho e vê-lo crescer e se desenvolver é, de fato, como estar no paraíso. Cada descoberta é uma vitória e a emoção de acompanhar a evolução dessa pequena versão de si mesmo é indescritível. É sobre o paraíso que vocês vão me ver escrevendo nesse blog.
Porém, há também o padecimento.
Longe de mim reclamar da Malu, até porque conheço crianças bem mais agitadas, que exigem muito mais dos pais. Falo da paternidade em geral: da renúncia, da mudança na rotina, das novas preocupações. Antes, não tinha ninguém que dependesse diretamente de nós. Festas, shows, viagens... podíamos ir ou não baseados apenas em nossa vontade e conveniência. Agora, tem muita coisa envolvida. Para mim, que sempre gostei muito de sair, esse é o maior padecimento. Mesmo as pequenas coisas, como ir à praia ou ao shopping envolve um planejamento e organização de bagagem, carrinho, lanchinho... sem falar na disposição necessária para cuidar do pequeno enquanto faz suas coisas. E quando se encontra uma pessoa para cuidar do neném durante a noite para que se possa sair, saiba que o dia seguinte será longo, então nada de se esbaldar na balada... logo cedo, o dever de pai/mãe lhe chamará com certeza.
Também tem a questão financeira. Com um filho, não há mais espaço para descontrole. Manter o orçamento equilibrado não é fácil, ainda mais com todas as despesas que um filho gera.
É claro que é uma fase, mas fases também são vividas e, portanto, geram desconforto enquanto não passam. Estar sempre à disposição da criança para alimentá-la e vigiá-la e entretê-la não é fácil e uma hora cansa. Resta aos pais criar válvulas de escape para liberar a tensão e segurar a onda enquanto cumpre suas funções.
Concluo que o padecimento não supera o paraíso. Na balança, os prós vencem os contras com larga vantagem, mas não acho justo tratar a paternidade como um mar de rosas, como se não houvessem obstáculos. E também acho que a parte ruim (ou "menos boa") da paternidade deve ser discutida. Sem meias palavras. Pais e mães têm todo o direito de explodir, de se sentirem cansados, de reclamar de certas situações. Só não devemos colocar os maus momentos em destaque, pois, pelo menos pra mim, aquele sorriso sem dente, um gritinho sem sentido ou um aperto no dedo valem todos os sacrifícios.
Respiremos fundo e vamos em frente!
sim respire e lembre sempre do sorriso sem dente. ele pode ser uma grande valvula de escape. amo os 3
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